Novos elementos recebidos pelo Página 3, a partir de fonte com conhecimento direto do caso, ajudam a montar uma cronologia mais detalhada envolvendo a Porsche que voltou ao centro de uma polêmica, após ter sido retirada do pátio de Balneário Camboriú e, dias depois, recuperada em Florianópolis (relembre aqui). Inclusive, a Porsche possuía mandado de busca e apreensão e se cair numa blitz, será apreendida novamente.
De acordo com as informações, tudo começou na noite de 21 de novembro de 2025, quando o veículo recebeu dois autos de infração em sequência, com apenas um minuto de diferença. O primeiro, às 23h01, por barulho excessivo no escapamento. O segundo, às 23h02, por licenciamento vencido, situação que se arrastava desde 2023. É justamente essa segunda infração, relacionada à documentação, que resulta na apreensão imediata da Porsche, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro.
O carro permanece apreendido até o dia 9 de janeiro de 2026, quando ocorre um movimento decisivo: os débitos de licenciamento são quitados. No mesmo dia, um terceiro comparece ao pátio e realiza a retirada do veículo mediante apresentação de uma procuração pública, aparentemente regular naquele momento. Conforme os procedimentos administrativos, não havia, até então, impedimento formal que barrasse a liberação.
O que só veio à tona depois é que, também em 9 de janeiro, teria sido proferida uma decisão judicial determinando a penhora do veículo. No entanto, essa decisão só foi publicada oficialmente no dia 14 de janeiro, ou seja, cinco dias após a quitação dos débitos e a retirada da Porsche do pátio.
A situação ganhou o público na segunda-feira (19/01), quando o proprietário formal do veículo, aquele que consta nos registros oficiais da BC Trânsito, compareceu pessoalmente ao local para buscar o carro. Ao ser informado de que o automóvel já havia sido retirado por um terceiro, ele grava vídeos no pátio relatando o ocorrido e registra a situação.
No mesmo dia, no final da tarde, a Porsche foi localizada e apreendida em Florianópolis, durante uma abordagem realizada por forças de segurança na região de Jurerê Internacional.
O motorista abordado não era o proprietário do veículo e acabou preso. Ele também não seria a mesma pessoa que retirou o carro do pátio em Balneário Camboriú.
Já nesta terça-feira (20), o Página 3 teve acesso à informação de que o Tribunal de Justiça de Santa Catarina notificou oficialmente a BC Trânsito informando que há uma ordem de busca e apreensão em vigor e solicitando esclarecimentos sobre a localização atual do veículo. Com isso, caso a Porsche volte a ser abordada em qualquer barreira policial, será novamente apreendida.
Outro ponto levantado pela fonte diz respeito ao acesso às informações do veículo. A retirada no dia 9 de janeiro exigiu conhecimento detalhado sobre os dados da Porsche e do proprietário, suficientes para a lavratura de uma procuração pública. A origem dessas informações ainda é uma incógnita e passou a ser considerada relevante dentro da investigação.
Segundo a apuração do Página 3, não há indícios, até o momento, de envolvimento direto de servidores da autarquia municipal no vazamento de informações.
A liberação do veículo segue um trâmite formal, realizado por agentes de trânsito responsáveis, que precisam assinar a documentação no ato, o que, em tese, afastaria a possibilidade de participação deliberada em uma fraude desse porte.
A investigação sobre a autenticidade da procuração, eventual uso indevido de informações e a sequência de decisões judiciais e administrativas segue sob responsabilidade dos órgãos competentes.

