O projeto de Lei Ordinária 306/2025, de autoria do vereador Aldemar ‘Bola’ Pereira, que busca instituir o Dia Municipal do Flashback e a Semana Municipal do Flashback no calendário oficial de Balneário Camboriú foi apresentado em primeira discussão na sessão da Câmara de Vereadores da cidade de quarta-feira (4) e gerou debates e deboches.
A reportagem do Página 3 acompanhou o início da sessão e os bastidores, com vereadores questionando o projeto de Bola, que foi protocolado em 2025 e noticiado pelo jornal (relembre aqui).
Em tom de deboche, alguns vereadores comentavam entre si o motivo do projeto estar na pauta. O PL inclusive já é lei em cidades vizinhas, como Itajaí, de autoria do vereador Cristiano Klaus Fischer.
Críticas diretas ao projeto

Um dos vereadores que ‘comprou a briga’ contra o Dia Municipal do Flashback em Balneário Camboriú foi Marcelo Achutti, que procurou o jornal para falar sobre o assunto.
“Enquanto faltam insumos no Hospital Ruth Cardoso e pacientes esperam horas por atendimento, moradores de rua tomam banho pelados e dormem nos bancos da cidade, a segurança preocupa e a turma do cigarrinho do capeta e do etanol domina a orla… tem vereador dizendo que está tudo bem e querendo criar “semana flashback”. Se o vereador é da base do governo [Bola, no caso, é], não seria mais fácil ir até a Fundação Cultural e articular a realização do evento junto ao Executivo? Nem tudo precisa virar lei. Tem coisas que se resolvem com diálogo e articulação sem ocupar o tempo da Câmara com projetos desnecessários. A população paga nosso salário para fiscalizar, cobrar e resolver problemas reais. Que tal criar a semana do mutirão de cirurgias? A semana das consultas represadas? A semana da fiscalização de verdade?”, disse.
O que diz o autor do PL

O Página 3 procurou o vereador responsável, Bola Pereira, que apontou que o Flashback é um movimento cultural e nacional, em que as pessoas amantes das músicas dos anos 70, 80 e 90 vem lutando para municípios terem legislação e que a cultura se mantenha.
“Na minha opinião, tinha muito mais qualidade e harmonia nessas músicas. As pessoas amavam estar juntas, dançar, se divertir… muitas famílias começaram nessa época, justamente por conta dessa cultura. Ainda tem cursos de dança do passinho em Balneário, até mesmo eventos, como o famoso do Maguila (Tempos do Vinil – A Festa do Maguila, organizada por Rogério Matheus (Maguila)), que as pessoas esperam acontecer. Acho que demagogia é outra coisa, não é defender algo que as pessoas defendem no país todo, que é bom e aproxima pessoas”, afirmou.
O vereador comentou que na quarta-feira foi só a apresentação, não teve espaço para discutir, mas que acha que os vereadores que o criticam não estão entendendo o seu projeto e estão mais preocupados em ‘fazer vídeos para viralizar e com números de visualizações nas redes’.
“E a maioria é baboseira e idiotice. O que é sério não gastam o tempo que deveriam. A maioria é para aparecer. Nossa energia e salário é para atender todos os nichos, todos os sentimentos e vontades da população, e eu acho que dançar e cantar faz parte do bem-estar social e coletivo. É muito melhor ter tempo para ir dançar flashback do que entrar em depressão e não cuidar da própria vida”, completou.
