O jornal Página 3 vem recebendo questionamentos de leitores sobre o funcionamento do estacionamento rotativo em Balneário Camboriú e ouviu o diretor-presidente da BC Trânsito, Evaldo Hoffmann, para esclarecer a situação. Ele disse que o sistema segue ativo e está sendo fiscalizado dentro das possibilidades operacionais do município.
A demanda surgiu a partir da dúvida de moradores quanto à obrigatoriedade do pagamento e à própria efetividade da fiscalização nas ruas da cidade.
Moradores relatam falta de clareza e fiscalização
Um leitor, morador de Balneário Camboriú, procurou a reportagem relatando incertezas sobre o funcionamento do rotativo e apontando dificuldades práticas para quem precisa utilizar o sistema.
“Gostaria de saber se realmente os estacionamentos de rua estão ativos e com necessidade de pagamento. Vejo muita polêmica nisso. Uns dizem que está, outros não. A empresa responsável no ano passado afirmou que sim, mas também nunca foi vista a vigilância ou checagem”, disse.
O morador também destacou a limitação de pontos para aquisição de créditos e a ausência de comunicação mais clara:
“Só é possível conseguir os vales pelas pouquíssimas máquinas espalhadas pela cidade. Não tem informação, mas vejo desavisados usando a máquina e ela aceita o dinheiro. Se não está havendo vigilância, também não deveria as máquinas estarem funcionando”, afirmou.
Outro ponto levantado foi a presença de sinalização de rotativo em vias predominantemente residenciais.
“Há inúmeras ruas que são apenas residenciais, como a Rua 1121, da Avenida Brasil até a Avenida do Estado, sem comércio, e toda com placa exigindo cartão”, acrescentou.
BC Trânsito afirma que rotativo está ativo
Ao Página 3, Evaldo Hoffmann afirmou que o estacionamento rotativo permanece em funcionamento e que há fiscalização sendo realizada por agentes de trânsito.
“O rotativo segue normalmente. Estamos fiscalizando dentro do que é possível. Desde 2025, fazemos a fiscalização com agentes de trânsito; a viatura com a câmera para fiscalizar não pode mais ser utilizada”, pontuou.
Ele explicou que o município trabalha em um novo modelo de organização do sistema, que deverá reestruturar as regras e a distribuição das vagas na cidade.
Novo modelo em estudo prevê diferentes zonas
De acordo com Hoffmann, está em elaboração um estudo técnico que dividirá o estacionamento rotativo em diferentes áreas, com regras específicas para cada tipo de uso urbano.
A proposta prevê:
- Zona azul: pagamento por hora, com permanência limitada a uma hora;
- Zona roxa: vias transversais, com permanência de até quatro horas;
- Zonas brancas: em frente a clínicas e hospitais, com permanência de até duas horas sem cobrança;
- Zona amarela: áreas sazonais, especialmente em regiões de praia durante a temporada.
“Isso está sendo construído para ser apresentado à prefeita Juliana Pavan. O estudo deve ser apresentado para ela no mês de março”, disse.
Segundo o diretor-presidente, também será necessário contratar uma empresa especializada para realizar o levantamento técnico das vagas existentes e das demandas futuras.
“Terá que ser feito um trabalho técnico sobre as vagas, para termos ideia de quantas há e quantas precisam ser implementadas”, comentou.
Rotativo em áreas residenciais deve ser reavaliado
Hoffmann reconheceu que a presença do rotativo em bairros essencialmente residenciais não é considerada adequada dentro do planejamento atual.
“Em bairros residenciais não tem por que ter estacionamento rotativo, como nas transversais da Praia dos Amores. Esse estudo vai definir o futuro do rotativo”, informou.
A expectativa é que, com o novo diagnóstico e a reorganização das zonas, o sistema passe a operar com maior clareza para moradores e visitantes, reduzindo dúvidas e padronizando a fiscalização na cidade.
