O Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Região da AMFRI (CIM-AMFRI) lançou oficialmente o edital para selecionar a empresa que ficará responsável pelos estudos técnicos que vão embasar a futura construção do túnel submerso entre Itajaí e Navegantes, considerada uma das maiores obras de mobilidade urbana já planejadas para o Litoral Norte catarinense.
A apresentação ocorreu na terça-feira (16), na sede do CIM-AMFRI, em Itajaí, quando a prefeita Juliana Pavan, presidente do CIM-Amfri, assinou o edital, na presença dos prefeitos de Itajaí, Robison Coelho, e de Navegantes, Ricardo Muniz Ventura.


Juliana lembrou que esse projeto é grandioso, é discutido há anos, é um processo demorado, mas que precisa seguir todos os trâmites para que cada passo seja seguro.
“A abertura do período para a manifestação de interesse das empresas no projeto do túnel imerso vai viabilizar todo o andamento, vai dizer quanto tempo a empresa que ganhar vai ficar, qual é o valor do próprio túnel, tudo isso de uma forma muito transparente. Nós abrimos esse período e, em paralelo a isso, os municípios estão formalizando todo o seu processo interno para poder assinar o contrato com o Banco Mundial”, colocou Juliana.
O diretor executivo do CIM-Amfri, Jaylon Janden Cordeiro da Silva, lembrou que este é o primeiro consórcio de municípios a financiar um contrato com o Banco Mundial, com uma obra que tem investimento previsto de 200 milhões de dólares.
Prazo termina em meados de julho
O empreendimento integra o Programa de Mobilidade Integrada Sustentável da Região da Foz do Rio Itajaí (Promobis), que conta com financiamento do Banco Mundial.
A publicação da manifestação de interesse marca o início da fase de estruturação técnica do projeto.
Empresas nacionais e internacionais especializadas em infraestrutura, mobilidade urbana e parcerias público-privadas poderão participar do processo. O prazo para manifestação segue até o dia 14 de julho.
Segundo o coordenador da Unidade de Coordenação do Projeto (UCP) do Promobis, Rafael Albuquerque, a empresa vencedora será responsável por desenvolver pesquisas de origem e destino, estudos de demanda, levantamentos técnicos e toda a modelagem necessária para viabilizar uma futura Parceria Público-Privada (PPP).
Estudos vão definir viabilidade e modelo de concessão

A futura contratada deverá realizar uma série de levantamentos considerados fundamentais para a tomada de decisões sobre o empreendimento. Entre eles estão estudos topográficos, geotécnicos e batimétricos, análises ambientais, avaliações de impacto socioambiental, pesquisas de deslocamento da população e elaboração do anteprojeto do túnel.
Além disso, caberá à consultoria estruturar os modelos técnico, econômico, financeiro, jurídico e institucional da PPP, além de apoiar consultas públicas, audiências e apresentações ao mercado.
A expectativa do consórcio é que o contrato com a empresa responsável pelos estudos seja assinado ainda no segundo semestre deste ano.
Tecnologia inédita e investimento bilionário
Em sua concepção preliminar, o projeto prevê a implantação de um túnel imerso sob o Rio Itajaí-Açu, utilizando uma tecnologia já consolidada em diversos países, mas ainda pouco explorada no Brasil.
O modelo prevê módulos pré-fabricados instalados no leito do rio, formando uma estrutura composta por duas galerias para veículos, uma célula exclusiva para o futuro sistema de transporte coletivo regional, além de espaços destinados a pedestres, ciclistas e infraestrutura operacional.
A obra é vista como uma solução estratégica para ampliar a integração entre Itajaí e Navegantes, reduzindo o tempo de deslocamento e fortalecendo a logística regional, especialmente em uma área que abriga um dos principais complexos portuários do país.
Leilão está previsto para 2028
Após a conclusão dos estudos técnicos e da modelagem da PPP, o projeto deverá avançar para a fase de concessão. A previsão do CIM-AMFRI é realizar o leilão da obra em 2028.
O túnel entre Itajaí e Navegantes é aguardado há décadas pela população da região e é considerado uma das principais apostas para solucionar gargalos históricos de mobilidade entre os dois municípios, além de servir como alternativa estratégica à atual travessia pela BR-101 sobre o Rio Itajaí-Açu.
