Alimentos sobem 1,65% e têm maior inflação para maio em 18 anos

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A alimentação no domicílio teve inflação de 1,65% em maio no país, apontou nesta sexta-feira (12) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a maior variação para esse mês em 18 anos, desde 2008 (2,27%). Os dados integram o índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Parte dos alimentos costuma subir no início do ano com o impacto sazonal da menor oferta de produtos. Em 2026, além do registro desse efeito, a guerra no Irã trouxe pressão adicional, segundo economistas.

O conflito iniciado em 28 de fevereiro pressionou as cotações do petróleo e dificultou o transporte marítimo. Um dos reflexos no Brasil foi a carestia de combustíveis como o óleo diesel. O diesel é usado para o transporte rodoviário de alimentos em caminhões.

Em maio, a alimentação no domicílio teve influência das altas da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%).

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“O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e também há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”, disse o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.

No acumulado de 12 meses, a alimentação no domicílio acumulou alta de 2,99% até abril, conforme o IPCA. Como mostrou a Folha de S.Paulo, economistas revisaram para cima as suas estimativas e esperam que essa taxa feche o acumulado até dezembro em 7% ou mais.

O horizonte do segundo semestre traz o desafio do fenômeno climático El Niño, que altera a distribuição de chuvas. Previsões indicam risco de um evento com forte intensidade.

A situação, caso se confirme, pode dificultar a produção agropecuária, com eventuais repasses para os preços dos alimentos até o final do ano.

Tradicionalmente, o El Niño aumenta o risco de seca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, enquanto favorece chuvas fortes no Sul. A possibilidade de um evento intenso no segundo semestre vem ganhando corpo nas previsões.

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A carestia dos alimentos afeta o bolso de diferentes grupos da população, sobretudo os mais pobres.

Isso ocorre porque a compra dos itens básicos consome uma fatia maior do orçamento, em termos proporcionais, das famílias com menos dinheiro.

A alta dos preços virou um ponto de atenção para o governo do presidente Lula (PT) antes das eleições de outubro.

Em 2022, quando o petista venceu Jair Bolsonaro (PL), a alimentação no domicílio fechou o ano com inflação acumulada de 13,23%. A elevação dos preços foi apontada à época como uma das principais razões para a derrota de Bolsonaro.

VARIAÇÃO DOS PREÇOS DA ALIMENTAÇÃO NO DOMICÍLIO EM MAIO

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Em %

2008: 2,27

2009: 0,46

2010: -0,06

2011: 0,47

2012: 0,83

2013: 0,05

2014: 0,41

2015: 1,61

2016: 0,87

2017: -0,56

2018: 0,36

2019: -0,89

2020: 0,33

2021: 0,23

2022: 0,43

2023: 0

2024: 0,66

2025: 0,02

2026: 1,65

Fonte: IBGE.

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