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Redes sociais: um território sem governança?

Por Maria Luiza Kuhn

Governança corporativa corresponde aos processos, costumes, políticas, leis e instituições que são usados para fazer a administração de uma empresa. Governança corporativa também inclui as relações entre os envolvidos e os objetivos para os quais a corporação é governada.”

Os avanços e o uso da tecnologia da comunicação se aceleraram nestes últimos tempos de forma impensável e incomum. Durante a pandemia, avançou-se alguns anos na descoberta de novas possibilidades, isto é certo. Seria o território da internet um espaço totalmente desprovido de governança?

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Presente o conceito de que não existem processos, políticas e leis para regulamentar o uso das redes sociais, passamos a assistir todo o tipo de manifestação e hoje proliferam as verdadeiras fábricas de fake news, mostrando o lado perverso do uso das mesmas.

As fake news, talvez sejam o lado mais visível da desgovernança. Penso até que a própria tecnologia e os inteligentes algoritmos poderiam criar ferramentas mais efetivas para que isso seja trazido à luz de alguns freios legais e morais.

Sabemos que movimentos existem, pois é de interesse das plataformas digitais em manter a credibilidade. Quatro gigantes da tecnologia assinaram em 2016 um código de conduta com a Comissão Europeia para combater a incitação ao ódio na Internet. Outras menores se juntaram em seguida. As grandes plataformas digitais contratam equipes de milhares de funcionários para detectar e apagar conteúdos racistas, xenófobos, sexistas ou terroristas da Internet, pois nem sempre as varreduras digitais são suficientes. Afirma-se que estes cidadãos têm um dos empregos menos agradáveis do mundo. São heróis da era digital. (imagina intoxicar-se o dia inteiro de assuntos nefastos, palavrões e xingamentos)

O mais degradante no entanto, é perceber nas redes sociais, o aparente e pequeno ato cotidiano do ser humano “comum”. Mesquinho, imiscuído no dia a dia, minando o seu pequeno mundo.

Aquele que ofende qualquer postagem que não seja do seu agrado. Que agride o outro através de impropérios agressivos e palavrões. Que desrespeita o semelhante na sua essência e na sua rede de relações. Desagrega seu mundo, aparentemente por nada. A mim parece que o ser humano, este a que me refiro, está sempre com uma espada na mão, naquelas cenas dantescas, pronto para degolar um. Ou seja, se empapar de sangue pelo prazer de odiar o seu vizinho.

Temos também o desinformado e o cognitivo alienado. O desinformado é um analfabeto que pensa que sabe e fica postando tudo como verdade. Facilmente identificado. Exemplo: outro dia li uma postagem de xingamento com gastos públicos, que falava do uso de 2% do PIB na lei Rouanet, e que isso tinha que acabar mesmo (segundo o postante) . Alguém sabe precisar quanto é em grana 2% do PIB? É muito dinheiro e jamais é 2% do PIB! Alguém sabe exatamente como funciona a Lei Rouanet? De onde realmente sai este dinheiro? O quanto ela gera de retorno? No mínimo três inverdades que uma vez jogadas na rede tornam-se verdade especialmente para os acéfalos e alienados.

Temos também o já conceituado “cognitivo alienado” É aquele, a grosso modo, assim como mentem para ele, se lhe serve, ele mente para si mesmo e torna a verdade dele a mais pura verdade, sem sequer saber interpretar um texto. Também chamado de analfabeto funcional. Ambos são de uma periculosidade incrível.

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Há finalmente os que acreditam, alarmam e chegam a fazer vídeos completamente infundados, com que finalidade afinal? Me pergunto incessantemente.

Nestes dias, vemos a polícia identificando alguém que pede desculpas. Ela afirma que alguém falou e ela ouviu alguma coisa e fez um vídeo falando como verdade o enterro de caixões vazios (conhecem a história: TODO MUNDO culpou ALGUÉM quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito) Mais ou menos isso…

Concluindo, com governança teríamos o freio moral necessário à “civilização”. Sem governança convivemos com o pior do humano que se sente livre e anarquista do mal, para expor o sórdido que habita em nós. Porque claro, as redes sociais, a comunicação e a internet como território, precisam sempre de no mínimo um dedinho de alguém para dar o ENTER. Esse alguém é um humanoide, até prova em contrário.

Muito vagamente começam a se movimentar as instituições. Prendem uma pessoa que espalha um vídeo falso e maldoso, levam à uma investigação, supostas fake news do alto escalão nacional. Ontem “printamos” os xingamentos gratuitos de um ser na rede social de uma moça amiga, Levaremos à justiça, porque o “cara” é totalmente identificado. E vamos indo…

Mesmo assim, estou a pensar o quanto evoluímos na tecnologia e involuímos nas humanidades.

A palavra tristeza é o sentimento que me define hoje.

Maria Luiza Kuhn é escritora, palestrante e consultora. Autora e criadora do método terapêutico da Poesia Terapia Flor de Abraço. Pesquisadora dos saberes femininos e secretária do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Balneário Camboriú; ocupa cadeira na Academia de Letras do Brasil – SP, por menção honrosa, ocupa cadeira também na Academia de Letras de Balneário Camboriú e na Academia Nacional de Ciências, Letras e Artes- ANACLA, Santa Catarina.
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